O jornalista Camilo Vannuchi lança o livro-reportagem Nunca Mais: Os Bastidores da Maior Denúncia Contra a Tortura Já Feita no Brasil, publicado pela Editora Discurso Direto, trazendo à tona um dos capítulos mais relevantes da história recente do país. A obra se destaca como um importante documento histórico ao revelar, com profundidade e rigor jornalístico, os bastidores da maior investigação já realizada sobre a prática de tortura durante a ditadura militar brasileira.

Com ilustrações de Mônica Vaz e apresentação assinada por Marco Aurélio de Carvalho, Gisele Cittadino e Bruno Salles Pereira Ribeiro, além de prefácio do jornalista Jamil Chade, o livro reconstrói uma operação clandestina conduzida entre os anos de 1979 e 1985.

Durante esse período, um grupo formado por advogados, religiosos, pesquisadores e jornalistas atuou em sigilo para copiar e analisar 707 processos judiciais que tramitavam no Superior Tribunal Militar (STM), envolvendo perseguidos políticos. O trabalho resultou na análise de mais de 1 milhão de páginas e na identificação de cerca de 2 mil relatos de tortura, além de apontar nominalmente 444 agentes envolvidos nessas práticas.

A investigação, que contou com nomes como Dom Paulo Evaristo Arns, Jaime Wright, Frei Betto e Ricardo Kotscho, deu origem ao emblemático projeto Brasil: Nunca Mais, considerado um marco na defesa dos direitos humanos no país.

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Na obra, Camilo Vannuchi conduz o leitor de forma ágil e instigante pelos bastidores dessa operação, destacando não apenas os fatos históricos, mas também a coragem e o comprometimento dos envolvidos em denunciar as violações cometidas pelo Estado autoritário.

Mais do que um relato jornalístico, Nunca Mais se consolida como um registro fundamental para a memória nacional, reforçando a importância da preservação da verdade histórica. Como destacou Eny Raimundo Moreira, “a história do país deixou de ser contada só por quem vence”, evidenciando o papel transformador da obra.

Ao reunir documentos, relatos e análises consistentes, o livro reafirma seu valor como fonte indispensável para futuras gerações compreenderem um dos períodos mais sensíveis da história do Brasil, contribuindo para que episódios semelhantes jamais se repitam.

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