Nesta cinzenta manhã de quarta-feira (25/02), nos despedimos de Maria Aparecida Clemente, carinhosamente conhecida como Dona Tota, a Dona Tota do Congado, que parte deixando um legado de fé, cultura e resistência.
Dona Tota não era apenas uma integrante do Congado, ela era parte viva do batuque, da tradição e da devoção que atravessam gerações. Sua presença firme nos cortejos, sua voz nas ladainhas e seu olhar atento às bandeiras erguidas em honra a Nossa Senhora do Rosário faziam dela uma referência de fé e identidade cultural.
Como no compasso do tambor que marca o passo dos congadeiros, Dona Tota ensinou que tradição se constrói com respeito aos mais velhos, amor às raízes e compromisso com a comunidade. Seu caminhar era guiado pela espiritualidade, pelo orgulho de suas origens e pela missão de manter viva a chama do Congado.
Hoje, a Rua São Gabriel, o bairro Santo Antônio e a cidade de Arcos choram a perda de uma filha ilustre e os tambores silenciam em sinal de luto, mas sua memória ecoa forte como caixa e patangome, lembrando que a cultura não morre, ela se transforma em herança. Dona Tota seguirá presente nas fitas coloridas que dançam ao vento, nas vestimentas tradicionais, nos cantos de devoção e na fé que une o povo.
Neste momento de dor, nos solidarizamos com familiares, amigos, irmãos e irmãs da vida e do Congado e toda a comunidade que reconhece a importância dessa mulher de força, tradição e coração generoso.
Que Nossa Senhora do Rosário a receba com festa no céu, ao som dos tambores eternos, e que sua trajetória continue inspirando futuras gerações.
Descanse em paz, Dona Tota. Sua história permanecerá viva no Congado e na memória do nosso povo.
Nossa gratidão por tudo que a senhora fez em prol de nossa cultura!
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