Você fala tanto, mamãe, que é uma mulher de fé. Então tenha fé e aja como uma mulher de fé.
Foi a Letícia quem me disse isso.
Eu estava inquieta. As incertezas da vida têm esse poder: nos fazem acreditar que o amanhã precisa estar sob controle para que a gente encontre paz.
Mas uma menina de poucas palavras colocou tudo no lugar.
Ela continuou:
Temos Deus.
Temos a nós.
Temos a nossa família.
Fome nós não vamos passar.
Frio também não.
E, se tudo der errado, é porque não era para ser.
Enquanto ela falava, percebi que eu estava procurando segurança nos lugares errados.
A família é o refúgio. O mundo pode até desabar, mas, se houver amor entre nós, tudo encontra um jeito de se reconstruir. Não porque somos fortes o suficiente, mas porque nunca recomeçamos sozinhos.
Naquele instante, entendi que a fé não é repetir que Deus cuida de nós. A fé é continuar vivendo como quem acredita nisso, mesmo quando as respostas ainda não chegaram.
Naquele dia, não fui eu quem ensinou minha filha.
Foi ela quem me lembrou de agir como uma mulher de fé.
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