Mercúrio cromo: por que o antisséptico vermelho desapareceu das farmácias há 25 anos

Quem foi criança nas décadas de 1970, 1980 e 1990 certamente se lembra do mercúrio cromo, o famoso antisséptico vermelho usado para tratar ralados e pequenos ferimentos. Conhecido pelo ardor na aplicação e pela marca vermelha que deixava na pele, o produto desapareceu das farmácias brasileiras há cerca de 25 anos.

A comercialização do medicamento foi proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) porque sua fórmula continha merbromina, um composto organomercurial que possui mercúrio em sua estrutura química.

Segundo o químico Adriano Andricopulo, professor da Universidade de São Paulo (USP) e membro da Academia Brasileira de Ciências, o mercúrio presente no produto não era metálico, como o encontrado nos antigos termômetros, mas fazia parte da composição da molécula. Ainda assim, a Anvisa optou por retirar o produto do mercado como medida preventiva para reduzir a exposição da população ao metal, principalmente em casos de uso frequente ou sobre grandes áreas da pele lesionada.

Continua após a publicidade

Especialistas ressaltam que quem utilizou o mercúrio cromo no passado não precisa se preocupar, já que o uso ocasional não representa, por si só, risco de intoxicação.

Desenvolvido nos Estados Unidos em 1919, o mercúrio cromo foi uma importante inovação para a época, quando ainda não existiam antibióticos como a penicilina. Sua ação antisséptica ajudava a prevenir infecções em pequenos ferimentos, tornando-se um dos medicamentos mais populares do século passado.

Com o avanço da medicina, no entanto, estudos mostraram que havia alternativas mais eficazes e seguras para a limpeza de lesões superficiais. Atualmente, a recomendação de médicos e infectologistas é simples: lavar o ferimento com água corrente e sabão, que costumam ser suficientes para a maioria dos cortes, arranhões e escoriações.

Continua após a publicidade

O médico Drauzio Varella também já alertou que o antigo hábito de utilizar a espátula do próprio frasco para aplicar o produto poderia favorecer a contaminação da solução por bactérias, aumentando o risco de infecção.

Hoje, o consenso entre especialistas é que, para pequenos machucados, a limpeza adequada com água e sabão é a melhor forma de prevenir infecções, reservando antissépticos apenas para situações específicas, conforme orientação médica.