A proposta de criação do Parque Estadual da Pedra do Cálice foi retirada de tramitação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta quarta-feira (14), após uma ampla mobilização envolvendo representantes dos setores produtivos, prefeitos, vereadores, empresários e moradores de Pains, Pimenta e Córrego Fundo, no Centro-Oeste de Minas Gerais.
Entre as entidades que participaram das discussões, a Associação dos Mineradores de Pains, Arcos e Região (AMPAR) teve atuação de destaque na defesa do diálogo, da segurança jurídica, da preservação dos empregos e da continuidade das atividades econômicas responsáveis por movimentar a economia regional.
O Projeto de Lei nº 5.724/2026, de autoria do deputado estadual Rubens Gonçalves de Brito, conhecido como Bim da Ambulância, previa a criação de uma unidade de conservação com aproximadamente 9.253 hectares, abrangendo áreas dos três municípios.
AMPAR defendeu a importância de conciliar preservação ambiental e desenvolvimento econômico
Durante as discussões, a AMPAR chamou a atenção para a necessidade de avaliar os possíveis impactos da proposta sobre a mineração, a indústria, o transporte, a agropecuária e outras atividades que sustentam milhares de famílias na região.
A entidade defendeu que a preservação ambiental deve caminhar ao lado do desenvolvimento econômico e social, com decisões fundamentadas em estudos técnicos, transparência e participação das comunidades diretamente envolvidas.
Um levantamento apresentado durante as discussões apontou que 5.132 trabalhadores dos três municípios estão vinculados a atividades econômicas que poderiam ser alcançadas por restrições decorrentes da criação do parque.
Em Pains, são 2.943 trabalhadores, equivalentes a 82,47% das pessoas ocupadas no município. Em Córrego Fundo, o levantamento identificou 1.371 trabalhadores (60,28%), enquanto Pimenta reúne 818 (69,55%).
Os números reforçaram a preocupação da AMPAR e de outros representantes dos setores produtivos com os possíveis reflexos da proposta sobre a geração de empregos, a renda das famílias e a arrecadação dos municípios.
Mobilização reuniu AMPAR, prefeitos, vereadores, empresários e população
A atuação da AMPAR integrou um movimento regional que reuniu diferentes segmentos da sociedade em torno da necessidade de ampliar o debate sobre a criação da unidade de conservação.
Prefeitos e câmaras municipais de Pains, Pimenta e Córrego Fundo também se manifestaram contrariamente à proposta, questionando a ausência de estudos detalhados sobre seus possíveis impactos econômicos, sociais e fundiários.
A mobilização popular também ficou evidente na consulta pública disponibilizada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, que contabilizou quase 800 manifestações contrárias ao projeto e aproximadamente 170 comentários, a maioria desfavorável à proposta.
Outro ponto que gerou preocupação foi a previsão de restrições às atividades e obras dentro da área do parque até a elaboração do Plano de Manejo, cujo prazo poderia chegar a cinco anos após a criação da unidade.
AMPAR reafirma importância da defesa dos setores produtivos da região
A retirada do projeto de tramitação representa um resultado importante para a mobilização regional, da qual a AMPAR participou defendendo os interesses dos setores produtivos e a necessidade de maior aprofundamento técnico da proposta.
A participação da associação também evidenciou a importância da organização e da representatividade institucional na discussão de medidas que podem afetar diretamente a economia e a vida de milhares de trabalhadores.
Mesmo com a retirada da proposta, a AMPAR e os representantes dos municípios permanecem atentos a possíveis novas iniciativas relacionadas à criação do Parque Estadual da Pedra do Cálice.
A entidade mantém como prioridade a defesa de um debate responsável, que considere a proteção ambiental, a realidade econômica regional, os direitos das comunidades e a manutenção dos empregos.
O episódio evidencia a importância da atuação conjunta entre entidades representativas, poder público, empresários e população na construção de decisões que envolvem o futuro econômico, social e ambiental de Pains, Pimenta, Córrego Fundo e de toda a região.
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