O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), apresentou uma projeção de déficit orçamentário de R$ 10,51 bilhões para 2027, cenário que poderá representar um dos principais desafios para o governador eleito, Cleitinho Azevedo (Republicanos), que assumirá o comando do Estado em janeiro.
Segundo a previsão apresentada pelo Governo de Minas, as receitas estimadas para o próximo ano são de R$ 144,99 bilhões, enquanto as despesas previstas superam esse valor em R$ 10,51 bilhões.
O cenário provocou críticas de Cleitinho, que, durante discurso no plenário do Senado Federal, nesta quinta-feira (15), cobrou explicações de Mateus Simões sobre a situação financeira do Estado.
“Vocês reclamaram isso do PT durante oito anos. Ficaram durante oito anos reclamando do PT. E vocês estão deixando o estado da mesma maneira que o PT deixou”, declarou o governador eleito.
Cleitinho também questionou declarações de Simões sobre possíveis dificuldades financeiras para o pagamento dos servidores públicos a partir de janeiro.
Comparação com o déficit de 2019
A situação foi comparada ao cenário encontrado pelo ex-governador Romeu Zema (Novo) quando assumiu o Governo de Minas, em 2019, após a gestão de Fernando Pimentel (PT).
Naquele período, o déficit orçamentário projetado era de R$ 11,44 bilhões, valor que, corrigido pela inflação, corresponderia atualmente a aproximadamente R$ 17,21 bilhões.
Governo de Minas apresenta justificativas
Em resposta aos questionamentos, o Governo de Minas esclareceu que o déficit de R$ 10,51 bilhões consta no Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027 e representa uma projeção, não um resultado financeiro já realizado.
A administração estadual destacou que, desde agosto de 2021, os salários dos servidores do Executivo são pagos integralmente até o quinto dia útil e que, em 2025, Minas registrou superávit orçamentário de R$ 1,108 bilhão.
O governo também garantiu que manterá a regularidade dos pagamentos de pessoal até o encerramento do mandato, incluindo a quitação do 13º salário ainda em 2026.
A previsão de déficit deverá ser considerada pela equipe de transição de Cleitinho, especialmente diante dos compromissos financeiros do Estado e das obrigações relacionadas à dívida com a União.
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