Arcos se despede neste domingo, 16 de agosto, de um de seus filhos mais longevos. Pedro Evangelista Rodrigues, carinhosamente conhecido como Pedro da saudosa Dona Noêmia e também Pedro da Sinhá Ana, faleceu aos 107 anos, deixando uma história marcada pela família, solidariedade, trabalho e dedicação ao próximo.
Nascido em 29 de abril de 1919, na comunidade da Boca da Mata, em Arcos, Senhor Pedro foi criado na comunidade do Santana, também no município. Sua existência atravessou mais de um século e acompanhou algumas das maiores transformações da história do Brasil e do mundo.
Quando Senhor Pedro nasceu, em 1919, o Brasil ainda vivia a chamada República Velha. Ao longo de seus 107 anos, ele viu o país passar pela Revolução de 1930 e pela Era Vargas, acompanhou os impactos da Segunda Guerra Mundial, viveu o período de industrialização e urbanização acelerada do Brasil e testemunhou a construção de Brasília e a transferência da capital federal do Rio de Janeiro para o coração do país, em 1960.
Senhor Pedro também atravessou o período do regime militar, iniciado em 1964, acompanhou a redemocratização, a promulgação da Constituição Federal de 1988 e as grandes mudanças econômicas das décadas seguintes. Viu o Brasil enfrentar diferentes moedas e períodos de inflação elevada até a implantação do Plano Real, em 1994, que trouxe uma nova realidade econômica ao país.
Ao longo de sua vida, presenciou ainda uma transformação impressionante nos meios de transporte e comunicação. Viu o rádio se popularizar, a televisão chegar aos lares brasileiros, o telefone se tornar acessível a milhões de pessoas e, décadas depois, acompanhou o surgimento dos computadores, da internet, dos celulares e dos smartphones. Um homem nascido em uma época predominantemente rural chegou ao século XXI vendo um mundo conectado instantaneamente pela tecnologia.
Também acompanhou grandes avanços na medicina, na educação e na infraestrutura. Viu a eletricidade e o abastecimento de água alcançarem cada vez mais comunidades, as estradas e os automóveis transformarem as viagens, a aviação aproximar continentes e tratamentos e vacinas mudarem a expectativa e a qualidade de vida da população.
Em seus 107 anos, Senhor Pedro viu o Brasil deixar de ser um país majoritariamente rural para se tornar predominantemente urbano. Acompanhou diferentes presidentes, mudanças de regimes políticos, crises econômicas, conquistas sociais e inúmeras transformações nos costumes e na maneira de viver das famílias brasileiras.
E, já com mais de 100 anos, enfrentou um dos acontecimentos mais marcantes da história recente: a pandemia da Covid-19, iniciada em 2020, período em que o distanciamento social limitou justamente aquilo que sempre esteve tão presente em sua trajetória: o contato, o abraço, a convivência e o carinho da família.
Em meio a tantas mudanças no Brasil e no mundo, Senhor Pedro construiu sua própria história. Foi casado durante 54 anos com Dona Noêmia Teixeira Rodrigues, falecida em 2002. Dessa união nasceram nove filhos: João Evangelista, Afonso, Geralda Rodrigues, Antônio Carlos, Cidinha e Tácita, além dos saudosos João Batista, Geraldo Jonas e Pedrinho. A família cresceu com a chegada dos netos e bisnetos, formando gerações que hoje carregam sua memória e seus ensinamentos.
Parte importante de sua trajetória também foi vivida em Japaraíba, onde morou durante 16 anos e exerceu por oito anos a função de juiz de paz. Em tempos em que o acesso aos serviços de saúde era muito mais difícil, Senhor Pedro ficou conhecido ainda pela disposição em ajudar os doentes e as pessoas mais necessitadas. Buscava medicamentos e auxiliava nos cuidados básicos sempre que alguém precisava.
Sua longa caminhada foi marcada por alegrias, conquistas e também por despedidas dolorosas. Senhor Pedro enfrentou a perda da esposa e de filhos, viu gerações nascerem e crescerem e presenciou acontecimentos que hoje fazem parte dos livros de História.
Foram 107 anos que representam mais do que uma trajetória individual. Pedro Evangelista Rodrigues foi testemunha de um Brasil que mudou profundamente diante de seus olhos. Nasceu em um país ainda essencialmente rural e partiu em uma era marcada pela tecnologia e pela comunicação instantânea. Entre esses dois mundos, construiu uma história simples, mas grandiosa, baseada na família, no trabalho, na solidariedade e no cuidado com o próximo.
Pedro Evangelista Rodrigues faleceu neste domingo, 16 de agosto de 2026. O velório acontece no Velório Bom Pastor e o sepultamento será realizado às 16h, no Cemitério Paroquial de Arcos.
Aos filhos João Evangelista, Afonso, Geralda Rodrigues, Antônio Carlos, Cidinha e Tácita, aos netos, bisnetos, demais familiares e amigos, ficam os sentimentos pela perda.
Arcos perde um de seus filhos mais longevos e se despede de uma verdadeira testemunha de mais de um século de história. O tempo transformou o Brasil, o mundo e a própria cidade de Arcos, mas o legado de Senhor Pedro permanecerá vivo nas gerações que ajudou a construir. Descanse em paz, Senhor Pedro Evangelista Rodrigues.
Comente