Para que uma criança cresça emocionalmente segura, ela precisa ouvir e sentir, repetidamente, três verdades fundamentais: “Eu sou amado”, “Eu sou ouvido” e “Eu sou capaz”.

E esse processo acontece muito mais pela forma como os pais se relacionam no dia a dia do que por grandes discursos.

A construção emocional de uma criança é resultado da repetição constante durante a infância, fase em que os filhos são como terrenos férteis, prontos para receber aquilo que lhes é plantado. Como educadores, plantamos sementes todos os dias. E, se desejamos formar adultos seguros de si, emocionalmente saudáveis e confiantes, precisamos prepará-los com disciplina, direcionamento, conhecimento e amor.

Uma criança precisa sentir, dentro de si, que é amada independentemente do seu desempenho ou comportamento. Porém, também precisa aprender que amor não significa ausência de limites. Certos comportamentos precisam ser corrigidos, pois existem limites que não são negociáveis.

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Ela precisa entender que notas, obediência, desempenho ou perfeição não compram amor. Seu valor não pode estar condicionado ao quanto ela acerta. Uma criança emocionalmente saudável sabe que não precisa ser perfeita para merecer carinho.

Dentro de casa, é essencial que ela saiba que está em um ambiente seguro para expressar seus sentimentos. Deve ter liberdade para dizer quando está triste, com medo, frustrada ou com raiva, sem receio de ser ridicularizada, ignorada ou rejeitada por isso.

Entretanto, também precisa aprender que sentir emoções é diferente de usar essas emoções como justificativa para ferir os outros. Ela pode sentir tudo, mas deve aprender a lidar com o que sente sem machucar quem está ao seu redor.

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Os adultos ao seu redor precisam ser fontes de confiança. A criança precisa saber que está protegida, que pode recorrer aos pais quando algo acontecer, e que encontrará acolhimento, direção e segurança. Quando ela sente que pode confiar nos adultos que a guiam, desenvolve dentro de si estabilidade emocional, proteção e segurança interna.

Uma criança emocionalmente segura cresce acreditando que sua voz importa, que possui valor, qualidades e capacidade de aprender e evoluir. Ela entende que errar faz parte do processo e pensa: “Eu errei, mas posso corrigir”, em vez de acreditar: “Eu sou um fracasso.”

Essa diferença de mentalidade é crucial, porque palavras e crenças formadas na infância têm poder para fortalecer a autoestima ou destruir silenciosamente a confiança de um indivíduo.

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Formar filhos emocionalmente seguros não exige recursos extraordinários. Exige o essencial: vínculo, validação dos sentimentos, ensino sobre emoções, correção sem atacar identidade, espaço para autonomia, permissão para pequenas frustrações, exemplo dos pais e uma construção diária de identidade e propósito.

No fim, tudo se resume a uma combinação poderosa: acolhimento e limites.