Tem uma música internacional chamada Birds,  que significa “pássaros”. É uma das minhas favoritas. Gosto dela porque o clipe mostra uma menina que nasce com asas. A mãe ensina que aquilo é bonito, que faz parte dela. Mas o mundo não vê assim. Com o tempo, ela começa a acreditar nisso também. E aquilo que era liberdade vira peso.

Por muitos anos, tive um medo que me impediu de enxergar a beleza de quem nasceu para voar. Meu medo era de passarinho. Eu tinha pavor do bico e acreditava que eles poderiam me machucar, até ferir meus olhos. Focada nisso, deixava de ver o essencial. Não via as asas. Não via a liberdade. É sobre isso que escrevo hoje.

O medo direcionava meu olhar para o perigo, para tudo o que poderia dar errado. E, assim, eu deixava de perceber o que é leve, bonito e livre. No meu caso, olhava para o bico e ignorava o restante. Não enxergava o voo, a altura, a brisa, a vista, a coragem nem a sensação de estar solto.

Quando as crianças ganharam as calopsitas, surgiu a oportunidade de enfrentar esse medo. Só de pensar em chegar perto, um pânico tomava conta de mim. O bater de asas causava desespero. Mesmo assim, decidi me expor aos poucos. E foi nesse processo que algo mudou.

Continua após a publicidade

Com os dias, entendi que pássaros são muito mais do que eu temia. Eles representam liberdade. Seguem em frente mesmo sem saber o destino. Existem para voar, bater asas, planar e ser livres. Experimentar essa liberdade é recusar viver como cativo. Ser livre é escolher o que nos faz voar, mesmo quando dá medo. É olhar além do que assusta.

Assim como os pássaros, podemos escolher para onde voar. E muitas vezes nos tornamos cativos emocionais presos em pressões da vida e padrões da sociedade, como o consumo excessivo, os relacionamentos, a busca por status e o dinheiro. Ficamos presos não por grades visíveis, mas por condições internas que nos limitam e nos impedem de ir além.

Vale a pena viver uma única vida e ainda assim se sentir preso?

Continua após a publicidade

É preciso escolher voar e permitir-se viver em liberdade. A vida é única e foi feita para ser vivida em movimento, não dentro de gaiolas invisíveis.