A história de Ronan Fernandes com o rádio começou muito antes dos microfones, das transmissões ao vivo e dos eventos. Nasceu dentro de casa, ainda na infância, em momentos simples ao lado da família, ouvindo programas que marcaram época no rádio brasileiro.

“Minha relação com o rádio vem de berço”, relembra Ronan. “Ainda criança, me lembro de estar ao lado dos meus pais e irmãos ouvindo ‘A Turma da Maré Mansa’, da Rádio Globo AM, do Rio de Janeiro.”

A paixão pela comunicação também passava pela música. Segundo ele, o irmão Ronildo era movido pela paixão musical e costumava imitar locutores enquanto a família acompanhava as emissoras da época.

Apesar da forte ligação com o rádio desde cedo, a entrada na profissão aconteceu de forma inesperada. Ainda adolescente, Ronan começou a trabalhar em uma agência de publicidade responsável por exposições agropecuárias na região. Foi nesse ambiente que surgiu o primeiro contato com o microfone.

Continua após a publicidade

“De repente me vi no palco ao lado de artistas”, conta. “Comecei a apresentar eventos e, depois, com a chegada da Rádio Cidade AM, em Arcos, em 1991, fui para o rádio.”

Atualmente, Ronan Fernandes segue atuando na Rádio Cidade FM, onde apresenta os programas “Nostalgia”, de segunda a sexta e aos sábadoa“Show da Manhã”, mantendo viva a paixão pela comunicação e permanecendo como uma das vozes mais conhecidas e respeitadas do rádio regional. 

Ao longo da carreira, Ronan viveu inúmeros momentos marcantes. Entre eles, lembra com carinho dos grandes eventos realizados em Arcos, como o tradicional “Rock na Praça” e as campanhas políticas da época dos showmícios, que mobilizavam multidões.

Continua após a publicidade

Com décadas de experiência, ele acredita que o rádio continua extremamente forte, mesmo em tempos de redes sociais e comunicação digital.

“Pelo seu dinamismo, o rádio é ao vivo, é em tempo real. O ouvinte se sente em companhia de alguém”, destaca. “E pela versatilidade, já que não exige atenção exclusiva, a pessoa consegue ouvir enquanto trabalha ou realiza outras tarefas.”

Para Ronan, a internet não enfraqueceu o rádio — pelo contrário. “A internet fez o rádio chegar onde antes não chegava. Hoje uma rádio não é mais apenas local ou regional. Ela é mundial.”

Continua após a publicidade

Versátil na comunicação, ele afirma ter facilidade para atuar em diversos formatos, seja jornalismo, entrevistas ou apresentações. Ainda assim, revela que o entretenimento é o segmento com o qual mais se identifica.

“Gosto mesmo é de fazer entretenimento. É mais relaxante”, afirma.

As histórias curiosas também fazem parte da trajetória. Ao ser questionado sobre situações engraçadas ao vivo, responde aos risos: “Foram várias. Seria impossível listar apenas uma.”

Continua após a publicidade

Um dos pontos que Ronan mais valoriza na profissão é a responsabilidade do comunicador diante do público. Para ele, o locutor exerce um papel de grande influência na sociedade.

“O locutor é como se fosse um influencer dos dias de hoje”, afirma. “Por isso procuro sempre me informar com fontes confiáveis pra não difundir notícias falsas.”

Com o bom humor característico do rádio, ele completa citando a personagem Ofélia, esposa do Fernandinho: “Só abro a boca quando tenho certeza.” (Risos)

Sobre referências profissionais, Ronan afirma que sempre buscou construir um estilo próprio de comunicação, fugindo do padrão tradicional.

“Sempre tentei criar uma identidade diferente, como linkar uma música com algum fato, pessoa ou situação”, comenta.

Mesmo após tantos anos de profissão, ele acredita que o maior desafio continua sendo a necessidade de evolução constante.

“Temos que nos superar diariamente. Ser melhor do que ontem todos os dias.”

Ao analisar as mudanças no rádio em geral, Ronan faz uma reflexão interessante sobre o papel social do veículo.

“O rádio deixou de ser apenas entretenimento ou companhia para o ouvinte. Hoje ele se tornou como a Ágora da Grécia Antiga, um espaço público de debate sobre os temas do dia a dia.”

Antes de entrar no ar, ele garante que não possui grandes rituais, mas mantém um hábito curioso: comer maçãs da espécie Fuji para ajudar na limpeza das cordas vocais.

Para quem sonha em seguir carreira no rádio, Ronan deixa um conselho simples, mas direto: leitura.

“A voz não é o mais importante”, afirma. “Não considero que eu tenha uma voz típica de locutor. O diferencial está na interpretação do texto, em saber respeitar pontos, vírgulas, aspas e transmitir emoção.”

E reforça: “Leia qualquer coisa. Até rótulos de embalagens. Mantenha contato com as palavras.”

Ao final da entrevista, Ronan resume em poucas palavras o que o rádio representa em sua vida:

“Mais do que um trabalho, é um prazer. Não é apenas o que sei fazer. É o que mais gosto.”

Pela sua versatilidade e trajetória construída ao longo de décadas de dedicação à comunicação, Ronan Fernandes, o menino ali do Bairro São Judas, filho do senhor Osmair e da saudosa Maria de Melo Fernandes, se consolidou como um dos locutores mais lembrados, respeitados e admirados do rádio arcoense e regional, marcando gerações com seu estilo próprio, carisma e paixão pelos microfones.