Uma audiência pública realizada em Piumhi debateu a criação do Monumento Natural da Cachoeira da Belinha, proposta prevista no Projeto de Lei 1.024/2023, de autoria da deputada estadual Beatriz Cerqueira. O encontro reuniu mais de 230 pessoas entre moradores, estudantes, vereadores, técnicos, ambientalistas e representantes de entidades ligadas à preservação ambiental.

A Cachoeira da Belinha possui cerca de 50 metros de altura e está localizada dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) Serras e Águas de Piumhi, criada em 2024, com aproximadamente 12 mil hectares e situada a cerca de seis quilômetros do centro da cidade.

Durante a audiência, o consultor técnico da Associação de Defesa Ambiental de Piumhi (ADAP), Igor Messias da Silva, apresentou estudos sobre a biodiversidade da região. Segundo ele, a área reúne campos rupestres e mata nativa, além de espécies ameaçadas de extinção, como o tamanduá-bandeira, o lobo-guará, a sempre-viva e a palmeira juçara.

O especialista destacou ainda que a região abriga espécies vegetais raras e micro endêmicas, além de um antúrio nativo de Piumhi que está em processo de descrição científica. A área também possui relevância histórica, com registros ligados ao período colonial e territórios quilombolas.

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Outro ponto destacado foi o potencial turístico da Cachoeira da Belinha, considerada uma das poucas cachoeiras da região com acessibilidade para pessoas com dificuldades de locomoção.

Os participantes também alertaram sobre problemas ambientais já identificados na localidade, como degradação do solo causada por trilhas de motociclistas, aumento da turbidez da água e incêndios frequentes no entorno da área.

O presidente da Câmara Municipal de Piumhi, José Wellington da Silva, reforçou o apoio ao projeto e destacou a mobilização popular em defesa da preservação ambiental.

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Representantes da sociedade civil, produtores rurais, estudantes, ambientalistas e integrantes do Ministério Público também participaram do debate, defendendo medidas de preservação e manejo sustentável da região. Entre os argumentos apresentados estão a importância da proteção dos recursos hídricos, da biodiversidade e da qualidade ambiental para as futuras gerações.

Durante a audiência, também houve críticas à ausência de representantes do Governo de Minas e da área ambiental do Estado. Participantes ressaltaram que a preservação da região é fundamental para evitar impactos ambientais futuros, especialmente relacionados à mineração e outras atividades potencialmente degradadoras