A previsão indica que muitas áreas dessas regiões enfrentarão vários dias seguidos de chuva até o solstício de inverno, em 21 de junho. Isso significa que, em menos de duas semanas, o volume acumulado de precipitação poderá ultrapassar a média esperada para todo o mês, caracterizando um evento meteorológico atípico. O Sul do Brasil também deve registrar sucessivos episódios de pancadas de chuva no período.
O que torna essa chuva incomum?
Para entender por que este cenário é fora do comum, basta observar o histórico climático do Brasil (baseado em dados do Instituto Nacional de Meteorologia entre 1991 e 2020):
Sudeste e Centro-Oeste: Nestas regiões, as médias de chuva para junho são tradicionalmente baixas, geralmente variando entre 40 mm e 80 mm. Em áreas como o norte e noroeste de Minas Gerais, o índice é ainda menor, ficando abaixo de 20 mm.
Exceções regionais: Apenas em setores específicos, como o centro-sul de Mato Grosso do Sul e áreas de São Paulo próximas ao Paraná as médias costumam ser um pouco maiores, variando de 80 mm a 100 mm, podendo superar essa marca em pontos isolados.
Sul do Brasil: Diferente das outras regiões, o Sul possui um histórico mais chuvoso em junho, com médias entre 140 mm e 180 mm na maior parte do território, enquanto o Paraná e o Vale do Itajaí registram entre 100 mm e 140 mm.
Por que a atenção deve ser redobrada?
O mês de junho, que normalmente marca o período de seca no Sudeste e no Centro-Oeste, será marcado por uma sucessão de frentes frias e ciclones extratropicais. Esse fenômeno é o grande responsável por trazer um volume de chuva acima da média para estas regiões, algo incomum para esta época do ano.
Como fica a situação no Sul do Brasil
Na região Sul, o primeiro episódio de chuva ocorre entre os dias 10 e 12 de junho, com risco de precipitações moderadas a fortes no Paraná, Santa Catarina e no norte do Rio Grande do Sul. O padrão de instabilidade se repete entre os dias 17 e 19 de junho, novamente com alerta de chuva forte para Santa Catarina e Paraná. Há ainda a possibilidade de um novo sistema chuvoso atuar na região entre os dias 21 e 23 de junho.
Previsão para o Sudeste e o Centro-Oeste
Nestas regiões, a maior parte dos estados e o Distrito Federal registrarão chuva entre os dias 10 e 14 de junho. Os acumulados mais expressivos e a chuva mais frequente devem ocorrer no Mato Grosso do Sul e no interior de São Paulo, embora momentos de sol ainda sejam esperados entre as pancadas.
Já nos dias 15 e 16 de junho, o foco da instabilidade migra para áreas do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. No dia 17 de junho, a chuva retorna ao Mato Grosso e, na sequência, entre os dias 18 e 23, volta a se espalhar de forma mais ampla por grande parte do Sudeste e do Centro-Oeste.
O que motiva essa mudança no tempo?
Toda essa instabilidade atípica é provocada pela formação e passagem de várias frentes frias. A partir desta quarta-feira, 10 de junho, uma área de baixa pressão se intensifica entre o Paraguai, o Sul e o Centro-Oeste do país. Na quinta-feira, dia 11, esse sistema evolui para uma nova frente fria e um ciclone extratropical, que ao se deslocarem, espalham a chuva pelo Sudeste e Centro-Oeste entre a sexta-feira, dia 12, e o domingo, dia 14.
Para encerrar o período, um novo sistema de frente fria e ciclone deve se formar entre o Paraguai e o Sul do país entre 17 e 19 de junho. Logo após o início do inverno, que ocorre oficialmente em 21 de junho às 5h24, a expectativa é a chegada de uma frente fria mais intensa sobre o território brasileiro. Como estamos lidando com sistemas meteorológicos complexos, é recomendável manter-se atento aos avisos locais para as próximas duas semanas, já que as condições podem sofrer ajustes conforme o deslocamento desses fenômenos.
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