Dentro da programação do Julho Verde, mês dedicado à conscientização sobre os cânceres de cabeça e pescoço, o Grupo Brasileiro de Câncer de Cabeça e Pescoço (GBCP) promove nesta quinta-feira, dia 2 de julho, uma série de atividades educativas e de mobilização em Divinópolis, cidade considerada a capital do Centro-Oeste de Minas Gerais. As ações, desenvolvidas em parceria com a Liga Acadêmica de Odontologia Hospitalar (LAOH) e a Liga Acadêmica de Diagnóstico Oral (LADO), ambas da Unifenas Divinópolis, incluem palestras para profissionais de saúde, estudantes e comunidade, reforçando a importância da prevenção, do reconhecimento dos sinais de alerta e do diagnóstico precoce.

O Julho Verde é uma iniciativa que, ao longo dos anos, vem contribuindo para ampliar o conhecimento da população sobre os sinais de alerta da doença, seus fatores de risco e a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. Neste ano, a campanha nacional do Grupo Brasileiro de Câncer de Cabeça e Pescoço (GBCP) traz como tema "Julho Verde 360 – Integração para transformar o futuro". O conceito parte do entendimento de que a transformação do cenário dos cânceres de cabeça e pescoço no Brasil depende de um esforço coletivo, envolvendo profissionais de saúde de diferentes especialidades, instituições, pesquisadores, gestores, pacientes, familiares, empresas e toda a sociedade.

Mais do que uma campanha de conscientização, o Julho Verde 360 foi concebido como uma plataforma permanente de informação e mobilização, promovendo a conexão entre conhecimento científico, educação em saúde e conscientização pública. A proposta é fortalecer o diálogo entre os diferentes atores envolvidos no cuidado e ampliar o acesso da população a informações qualificadas e baseadas em evidências.

Ao longo do mês, serão promovidas diversas iniciativas voltadas à prevenção, ao reconhecimento dos sinais e sintomas da doença, ao diagnóstico precoce e à valorização da atuação integrada das equipes multiprofissionais envolvidas na assistência aos pacientes. "O Julho Verde reforça que a conscientização sobre os cânceres de cabeça e pescoço é uma responsabilidade compartilhada. Quando diferentes setores atuam de forma integrada, ampliamos o alcance da informação, fortalecemos a prevenção e criamos condições para que mais pessoas tenham acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado", destaca a oncologista clínica Milena Mak, presidente do GBCP.

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Escolas e unidades de saúde recebem ações simultâneas

As atividades em Divinópolis são coordenadas pela cirurgiã-dentista Luciana Vieira Muniz, docente de Estomatologia e Patologia Oral da Unifenas Divinópolis e coordenadora do Comitê de Novos Membros e Ligas Acadêmicas do GBCP.

Nesta quarta-feira (2), a programação terá início às 7h30, com palestras educativas na Escola Municipal Dr. Sebastião Gomes e na Estratégia Saúde da Família (ESF) Tietê. Às 10h, será realizada uma palestra voltada aos profissionais da Atenção Primária à Saúde, abordando prevenção, reconhecimento dos sinais e sintomas e a importância do diagnóstico precoce. No mesmo horário, será promovida uma atividade educativa na Escola Municipal Padre João Bruno.

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Ao longo do mês, as ações também contemplarão outras escolas municipais autorizadas pela Secretaria Municipal de Educação (Semed), incluindo as escolas Antonieta Fonseca, Maria Fonseca Peçanha, Professor Bahia, Otávio Olímpio e Benjamin Constant. Paralelamente, equipes da LAOH e da LADO realizarão atividades nas unidades da Estratégia Saúde da Família (ESF) dos bairros Afonso Pena, Bom Pastor, Central, Danilo Passos, Ipiranga, Niterói e Planalto. As ações abordarão fatores de risco, sinais de alerta, prevenção e a importância do encaminhamento oportuno de pacientes com suspeita da doença.

"Nas escolas, queremos discutir, em uma linguagem apropriada para crianças e adolescentes, hábitos que podem impactar a saúde ao longo da vida, especialmente diante do aumento do consumo de cigarros eletrônicos entre os jovens. Já nas unidades de saúde, buscamos reforçar o papel estratégico dos profissionais da Atenção Primária na identificação precoce dos sinais e sintomas e na conscientização da população sobre esses tumores", afirma Luciana Vieira Muniz.

Mais de 40 mil brasileiros deverão ser diagnosticados em 2026

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Mais de 40 mil brasileiros deverão receber, neste ano, o diagnóstico de alguns dos principais cânceres de cabeça e pescoço. Embora os avanços da cirurgia, da radioterapia e dos tratamentos sistêmicos tenham ampliado as possibilidades terapêuticas, o diagnóstico tardio continua sendo um dos principais desafios para especialistas e pacientes.

Os cânceres de cabeça e pescoço incluem tumores que podem acometer a cavidade oral, a faringe, a laringe, as glândulas salivares, a cavidade nasal e os seios paranasais. Em comum, muitos deles compartilham fatores de risco importantes, como o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e, em alguns casos, a infecção pelo papilomavírus humano (HPV).

Segundo as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026-2028, são esperados anualmente no Brasil cerca de 15.990 novos casos de câncer da cavidade oral, 11.400 casos de câncer de laringe e 14.160 casos de câncer da tireoide, totalizando mais de 41 mil diagnósticos dessas três neoplasias. Em Minas Gerais, as estimativas apontam para aproximadamente 2.190 novos casos de câncer da cavidade oral, 1.140 casos de câncer de laringe e 1.680 casos de câncer da tireoide por ano.

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No Brasil, cerca de oito em cada dez casos de câncer da cavidade oral são diagnosticados em fases avançadas da doença. O diagnóstico precoce está associado a melhores resultados clínicos, menor necessidade de tratamentos complexos, menor impacto funcional e estético e maiores chances de controle da doença.

Quais são os sinais de alerta?

Os principais sinais e sintomas que merecem avaliação por um profissional de saúde incluem:

Ferida na boca que não cicatriza;

Dor persistente na boca ou garganta;

Manchas avermelhadas ou esbranquiçadas na boca;

Rouquidão persistente;

Dificuldade para mastigar ou engolir;

Sensação de algo preso na garganta;

Nódulo no pescoço;

Alterações na voz;

Dentes amolecidos sem causa aparente;

Mau hálito persistente;

Perda de peso sem explicação.

Caso qualquer um desses sinais persista por mais de duas semanas, é importante procurar avaliação médica ou odontológica. Quanto mais cedo for realizado o diagnóstico e iniciado o tratamento, maiores são as chances de sucesso terapêutico.

SOBRE O GBCP - O Grupo Brasileiro de Câncer de Cabeça e Pescoço é uma organização sem fins lucrativos estabelecida por meio da colaboração voluntária de seus membros, profissionais da área da saúde envolvidos na jornada de cuidado do paciente com tumores de cabeça e pescoço. O GBCP é um grupo multiprofissional com a missão de influenciar todo o ciclo de cuidado do câncer de cabeça e pescoço no Brasil, atuando em quatro frentes de trabalho: comunidade geral, cuidados com pacientes e cuidadores, profissionais de saúde e pesquisa científica. Informações em https://www.gbcp.org.br/.