O Pix revolucionou a forma como os brasileiros realizam pagamentos, transferências e compras. No entanto, a praticidade do sistema também passou a ser explorada por criminosos. Um levantamento do Observatório Lupa revelou que um em cada três golpes digitais aplicados no Brasil utiliza o Pix como principal meio para obtenção de dinheiro das vítimas.

O estudo analisou mais de uma centena de conteúdos fraudulentos que circularam no país nos últimos dois anos e identificou que 33% dos golpes exigiam pagamentos exclusivamente via Pix. Além disso, 74% das fraudes utilizavam o nome de empresas, marcas ou personalidades conhecidas para transmitir credibilidade e convencer as vítimas.

De acordo com especialistas em segurança digital, o problema não está na tecnologia do Pix, considerada segura, mas nas estratégias de engenharia social utilizadas pelos golpistas para manipular o comportamento das pessoas.

Segundo Géssica Ribeiro, analista sênior de Governança de TI da Trio Grupo Financeiro e especialista em Segurança da Informação, os criminosos exploram principalmente fatores emocionais, como medo, urgência e confiança.

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"Na prática, os criminosos exploram muito mais falhas no comportamento dos usuários do que vulnerabilidades técnicas do Pix. O sistema em si é seguro, com camadas robustas de criptografia e autenticação. O que vemos com mais frequência são golpes de engenharia social, em que a vítima é convencida a autorizar a própria transferência acreditando que está realizando uma operação legítima", explica.

Entre os golpes mais frequentes estão falsas centrais de atendimento bancário, clonagem de contas de WhatsApp, anúncios fraudulentos em plataformas de venda, QR Codes adulterados e falsas oportunidades de investimento. Em muitos casos, os criminosos criam situações de urgência ou oferecem vantagens financeiras inexistentes para induzir a vítima a realizar a transferência rapidamente.

O levantamento aponta ainda que 71% dos golpes prometiam algum benefício financeiro, como promoções, brindes, descontos, indenizações ou falsas vagas de emprego.

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Como evitar cair em golpes

Especialistas recomendam alguns cuidados simples antes de concluir qualquer transferência via Pix:

  • Verificar o nome e o CPF ou CNPJ vinculados à chave Pix;
  • Desconfiar de pedidos de dinheiro recebidos por mensagens ou ligações inesperadas;
  • Evitar clicar em links enviados por aplicativos de mensagens;
  • Utilizar apenas os canais oficiais das instituições financeiras;
  • Manter o celular protegido com senha, biometria e atualizações de segurança;
  • Ativar a autenticação em múltiplos fatores sempre que possível.

Segundo Géssica Ribeiro, poucos segundos de atenção antes de confirmar uma operação podem evitar grandes prejuízos.

Pix continua sendo seguro

Apesar do aumento das tentativas de fraude, especialistas reforçam que o Pix permanece sendo um dos sistemas de pagamento mais seguros do mundo.

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A diretora de Governança da Trio Grupo Financeiro, Andressa Lipski, destaca que o sistema foi desenvolvido com criptografia avançada, autenticação entre instituições e comunicação realizada exclusivamente pela Rede do Sistema Financeiro Nacional.

Ela lembra ainda que o Banco Central exige das instituições financeiras mecanismos antifraude, limites para transações em determinados horários, monitoramento constante e controles rigorosos para abertura de contas.

É possível recuperar o dinheiro?

Quem for vítima de um golpe pode solicitar o acionamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado pelo Banco Central para tentar bloquear e recuperar valores transferidos de forma fraudulenta.

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Segundo os especialistas, a vítima tem até 80 dias após a transferência para registrar a ocorrência junto à instituição financeira. No entanto, quanto mais rápido o banco for comunicado, maiores são as chances de bloqueio dos recursos antes que eles sejam movimentados para outras contas.

O Banco Central também trabalha no desenvolvimento do chamado MED 2.0, que deverá ampliar a capacidade de rastreamento e bloqueio de valores desviados, tornando o combate às fraudes ainda mais eficiente.

Enquanto novas ferramentas de segurança são implementadas, especialistas reforçam que a principal forma de proteção continua sendo a informação, a atenção e a cautela antes de realizar qualquer transferência via Pix.