Uma propriedade rural inicialmente adquirida para reunir familiares e amigos tornou-se o berço da Cachaça Divina Cana, em Três Pontas, no Sul de Minas. Criado pelo casal Paulo Sérgio de Souza Rodrigues e Regina Helena Sierra Rodrigues, o empreendimento combina produção artesanal, memória afetiva, hospitalidade e valorização da identidade mineira.
A relação do casal com o município começou em 1999, após a mudança de Franca, no interior de São Paulo. Em 2010, eles compraram uma propriedade rural para descansar e receber pessoas próximas. O local foi escolhido por Regina por lembrar a casa dos avós e, aos poucos, ganhou jardins, uma residência com seis quartos e uma antiga igreja reconstruída.
A ideia de produzir cachaça surgiu após a morte do pai de Paulo, em 2015. Admirador de alambiques, ele inspirou o filho a iniciar uma nova atividade. Químico de formação, Paulo começou a aprender o processo na prática e produziu aproximadamente dois mil litros em 2016. Durante a pandemia, a família passou mais tempo no sítio e intensificou o aperfeiçoamento da bebida.
A marca Divina Cana foi lançada oficialmente em agosto de 2022. Atualmente, a propriedade cultiva cerca de 4,5 hectares de cana-de-açúcar e mantém mais de 110 mil litros de cachaça armazenados. Somente no ano passado, a produção alcançou 17 mil litros.
As bebidas permanecem armazenadas por pelo menos dois anos em barris de madeiras como jequitibá, castanheira e diferentes tipos de carvalho. O trabalho envolve cuidados desde a escolha das variedades de cana até as etapas de moagem, fermentação, destilação e engarrafamento.
Uma curiosidade da produção está na fermentação, realizada ao som de música clássica e de canções de Milton Nascimento, artista ligado à história de Três Pontas. Segundo Paulo, a música representa o ambiente tranquilo e a valorização da cultura local.
O cuidado com a produção já rendeu premiações. Em 2024, a Divina Cana Febo recebeu Medalha de Prata em uma competição internacional realizada na Bélgica e Medalha de Bronze em um concurso mineiro. No mesmo evento estadual, a Divina Cana Júpiter venceu a categoria de cachaça envelhecida extra premium, superando rótulos avaliados por especialistas.
A marca possui bebidas batizadas com nomes inspirados na mitologia, como Netuno, Febo, Júpiter, Vulcano, Minerva e Mercúrio. Também foram criadas edições comemorativas relacionadas a Três Pontas, entre elas a Divina 165, lançada em homenagem aos 165 anos do município, e a Divina 168, inspirada no café e dedicada às mulheres produtoras da região.
Além da fabricação de cachaça, a propriedade passou a oferecer uma experiência turística. Durante as visitas, Paulo apresenta o alambique e explica as etapas da produção. Regina conduz a degustação harmonizada com carnes, pães, doces e outros produtos artesanais preparados por ela.
O empreendimento também passou a integrar iniciativas de valorização da produção mineira e do turismo regional. A proposta é permitir que os visitantes conheçam não apenas a bebida, mas também a história da família, a cultura de Três Pontas e os sabores do Sul de Minas.
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