O avanço do diabetes no Brasil tem impulsionado a procura por dispositivos de monitoramento doméstico da glicemia. Atualmente, cerca de 20 milhões de brasileiros convivem com a doença, segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Diabetes. Dados da Federação Internacional de Diabetes (IDF) colocam o país entre os líderes globais em incidência da condição, ocupando a sexta posição no ranking mundial e o terceiro lugar em casos de diabetes tipo 1.

Com a medição da glicose cada vez mais presente na rotina doméstica, dúvidas sobre a confiabilidade dos resultados também passaram a crescer entre os usuários. Especialistas afirmam, porém, que muitas das inconsistências observadas nas leituras estão associadas a falhas no uso correto dos aparelhos e das tiras reagentes.

Questões como armazenamento inadequado das tiras, uso de insumos vencidos, mãos mal higienizadas ou quantidade insuficiente de sangue estão entre os fatores que mais impactam a leitura da glicose. Em muitos casos, pequenas falhas operacionais podem comprometer a reação química necessária para a medição correta.

O médico Igor Tavares observa que muitos dos erros cometidos durante a automonitorização são simples e facilmente evitáveis. Segundo ele, além do armazenamento inadequado das tiras reagentes, também são frequentes problemas relacionados ao manuseio incorreto do aparelho, à falta de atenção à validade dos insumos, à higienização inadequada das mãos antes da medição e até ao descuido com a limpeza do próprio glicosímetro.

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Segundo a G-TECH, marca que atua no segmento de dispositivos para monitoramento da saúde, a orientação adequada do usuário é uma etapa importante para garantir resultados mais confiáveis e seguros. Os medidores da marca seguem padrões técnicos e possuem regularização junto à ANVISA, além de serem desenvolvidos para uso em autoteste domiciliar e acompanhamento clínico.

“Os medidores atuais passam por processos rigorosos de validação, controle de qualidade e conformidade técnica. Quando utilizados conforme as instruções, oferecem um alto nível de precisão. Muitas vezes, as diferenças observadas nos resultados estão relacionadas a fatores externos ao equipamento”, explica Kelly Adriano, representante de marketing e produtos da G-TECH.

Entre os erros mais comuns está o uso de tiras reagentes fora da validade ou armazenadas incorretamente. Os manuais técnicos dos aparelhos reforçam que calor excessivo, umidade, exposição à luz e até o hábito de retirar as tiras do frasco original podem alterar suas propriedades químicas e afetar os resultados.

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Outro ponto recorrente é a higienização inadequada das mãos antes do teste. Resíduos de alimentos, cremes, álcool ou umidade podem interferir diretamente na amostra coletada. A recomendação é lavar as mãos com água e sabão e secá-las completamente antes da medição.

Segundo Tavares, a higienização correta é uma das etapas mais importantes do processo e deve ser feita apenas com água e sabão, evitando o uso de álcool em gel antes da coleta. O cuidado pode parecer simples, mas tem impacto direto no resultado obtido.

“Imagine uma pessoa que manuseou um alimento doce e não higienizou as mãos antes de medir a glicose. O aparelho pode registrar um valor mais alto do que o real, levando a uma correção desnecessária com insulina. Em situações como essa, o paciente pode desenvolver uma hipoglicemia perigosa”, explica Tavares.

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A quantidade de sangue aplicada na tira também influencia o desempenho da leitura. Como a medição depende de uma reação eletroquímica precisa entre a glicose presente na amostra e os componentes da tira reagente, volumes insuficientes podem gerar resultados inconsistentes. Além disso, condições ambientais fora da faixa operacional recomendada, normalmente entre 10°C e 40°C, também podem comprometer o funcionamento adequado do sistema.

Tavares também chama atenção para outro erro comum: pressionar excessivamente o dedo para obter sangue. De acordo com o médico, a prática pode diluir a amostra e comprometer a precisão da leitura. A orientação é permitir que a gota se forme naturalmente antes da coleta. Ele ressalta ainda que dificuldades iniciais na configuração do aparelho podem ocorrer, mas não devem substituir os cuidados básicos que garantem uma medição mais confiável.

Kelly explica que parte das dúvidas recebidas pela marca nas redes sociais está relacionada justamente ao desconhecimento dessas variáveis técnicas envolvidas no processo.

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“Muitas pessoas associam automaticamente qualquer variação a uma falha do aparelho, mas o monitoramento da glicose envolve uma série de cuidados importantes durante a medição. Por isso, reforçamos constantemente a importância de seguir corretamente as orientações dos manuais e utilizar produtos certificados e compatíveis com cada sistema”, afirma.

Os próprios manuais dos medidores recomendam a realização periódica de testes com solução controle, especialmente ao abrir um novo frasco de tiras ou quando houver suspeita de inconsistência nos resultados. A orientação também é repetir a medição em caso de valores inesperados e procurar avaliação médica sempre que houver divergência persistente entre os sintomas e os números apresentados no visor.

Para o médico, o paciente deve considerar não apenas o valor apresentado no visor, mas também o contexto clínico e os sintomas percebidos.

“Se o resultado parecer incompatível com o que você costuma observar ou com a forma como está se sentindo, vale revisar todo o processo antes de tomar qualquer decisão”, orienta.

Segundo Tavares, é importante verificar se o aparelho está limpo, se as mãos foram higienizadas corretamente, se as tiras estão dentro da validade e se a amostra de sangue foi suficiente. Persistindo a divergência, a recomendação é procurar avaliação médica.

Além da precisão analítica, fabricantes do setor têm ampliado os investimentos em recursos de segurança e usabilidade. Alguns modelos contam com codificação automática, alertas de erro, memória de resultados, conectividade e indicadores que auxiliam o usuário durante o processo de medição. A proposta é reduzir falhas operacionais e tornar o acompanhamento da glicemia mais acessível na rotina doméstica.

Para a G-TECH, ampliar a comunicação educativa sobre o uso correto dos medidores também faz parte da estratégia de fortalecimento da confiança do consumidor em dispositivos de saúde utilizados diariamente por milhões de brasileiros.

O especialista ressalta que a educação em saúde continua sendo um dos pilares para o controle adequado do diabetes. Na avaliação dele, o monitoramento doméstico só produz resultados efetivos quando o paciente compreende sua condição, conhece suas metas glicêmicas e utiliza corretamente os dispositivos disponíveis. Tavares destaca que o sucesso do tratamento depende do protagonismo do paciente no autocuidado e da orientação adequada dos profissionais de saúde ao longo da jornada com o diabetes.

“Cada detalhe importa”, resume. “Informação de qualidade também faz parte do cuidado com a saúde. Quando o usuário entende corretamente como o equipamento funciona e quais fatores podem interferir na leitura, ele consegue realizar um monitoramento mais seguro, eficiente e confiável no dia a dia”, conclui Adriano.