Eu tenho uma adolescente em casa. Ela tem 12 anos, é uma menina muito vaidosa, gosta de cuidar dos cabelos, da pele e do rosto. É responsável, comunicativa e precocemente madura para a idade.
A sociedade do consumo nos ensinou a confundir desejo com necessidade. Muitas vezes, compramos para preencher vazios e acumulamos coisas enquanto faltam sentido, tempo e presença.
Nesta semana, percebi minha filha mais influenciada por estímulos externos, especialmente pelas redes sociais. Não por mim, porque não sou consumista, mas ainda assim é compreensível. Ela tem 12 anos e está em formação.
Foi então que resolvi conversar com ela, um dia antes de dormir, na tentativa de ensinar o que realmente é necessário. Tentei mostrar que o valor não está no que temos, mas no que somos. A sociedade do consumo promete felicidade, mas entrega dependência. Promete liberdade, mas aprisiona em ciclos de comparação, dívida emocional e exaustão.
Talvez hoje o maior desafio seja reaprender o que é essencial. Escolher menos, viver com mais consciência e se voltar ao que não se compra: paz, vínculos, saúde emocional, fé e propósito.
Para mim, essa caminhada pode ser mais fácil, porque já estou nela há mais tempo. Para ela, é mais difícil, mas não impossível. Meu maior aliado é o exemplo. Escolhi oferecer presença, não presentes em excesso. Busco cuidar do corpo, da mente e da minha fé. E costumo me perguntar, antes de comprar algo, se aquilo é realmente necessário ou apenas supérfluo.
As perguntas despertam consciência. Quando ela deseja algo, eu pergunto: isso é realmente necessário? Você precisa disso agora?
O essencial é sentido no corpo e no coração. Um café “juntas”, alguns minutos sem fazer nada, uma caminhada sem celular, arrumar o quarto. O essencial sustenta, enquanto o supérfluo é passageiro. Não se trata de demonizar o consumo, mas de não o colocar no centro da vida.
O mundo vai tentar nos convencer de que precisamos de muitas coisas para sermos felizes. Mas, com a vida, aprendi que o essencial é o que nos deixa em paz, nos faz dormir tranquilas e nos ajuda a ser quem somos.
O supérfluo é tudo aquilo que é legal, bonito e divertido, mas que não sustenta a vida. Ele encanta, passa rápido, mas não cria raízes.
Um exercício prático que ajuda no discernimento é simples. Escolho coisas do dia a dia, como oração, celular, roupa nova, conversa, dinheiro e abraço, e pergunto: se você tivesse que escolher apenas três para viver bem, quais seriam?
O prazer também é humano. Ensinar equilíbrio é mais sábio do que ensinar renúncia total. Podemos aproveitar o supérfluo, desde que não entreguemos nosso coração a ele. Isso constrói liberdade, não dependência.
Podemos aproveitar as coisas, só não deixar que elas nos possuam.
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