Essa época do ano costuma despertar muitas reflexões: o que aconteceu no ano que passou, o que espero para o próximo, o clima natalino, as metas que pretendo alcançar e, como todo bom ser humano, aquilo que desejo melhorar em mim e na minha vida.
As reflexões são importantes porque dão sentido à existência. Não se trata de pensar demais, mas de pensar melhor. Quando refletimos, saímos do automático; a reflexão nos ajuda a escolher melhor e a tomar decisões mais conscientes. Ao refletir, transformamos experiências em aprendizado.
Época de férias, crianças em casa, hora no digital, hora brincando, dias nas casas dos avós, com os primos e as tias, enquanto os pais seguem trabalhando. A rotina, para a maioria, não para. As minhas crianças não estão em casa esta semana; foram para a casa dos avós, em outra cidade. A primeira noite foi vazia, silenciosa e quieta demais. Não é normal isso e, se fosse para escolher, eu não escolheria esses dias.
Prefiro mil vezes os “mamãe, vem cá”, os “mamãe, te amo”, os “mamãe, se cuida”, os chamados sem motivo, os “qualquer coisa me chama”, os “posso contar com a senhora?”. Prefiro essa bagunça barulhenta, mas cheia de amor e de sentido. Isso é o que dá sentido à vida: aquilo que amamos, essa existência cheia de significado.
No dia a dia, com o tempo acelerado, as tarefas corridas e os horários apertados, mesmo ficando em casa o dia todo, no meu caso, nós sentimos que muita coisa acontece no automático.
A prioridade aqui é a nossa família, o bem-estar de cada um, o zelo uns com os outros, o respeito ao sono de todos. Não deixo para depois o que consigo fazer agora, porque não sei do depois, mas quantas vezes nós adiamos o que realmente importa? Procuro viver bem o aqui e agora, trazendo intenção e presença para os dias. O que está no meu controle é exatamente o que faço, e isso tira a ansiedade do que pode acontecer.
Na verdade, o que pode acontecer é difícil de prever. Parece que tudo precisa estar sempre do mesmo jeito: lavar roupa em tal dia, passar em outro. Sei que, durante a semana, com o trabalho do pai e a escola das crianças, os horários são necessários, mas não o automático. Quando temos consciência do que está no nosso controle e do que não está, podemos entregar a Deus aquilo que não nos cabe cuidar.
Vivemos tentando organizar tudo, mas esquecemos de viver o que está diante de nós. Quando tento organizar tudo, acabo me distraindo do que realmente faz sentido para mim, e talvez isso também aconteça com muitos de nós. A preocupação excessiva com o exterior pode prejudicar o interior.
Parece que os dias estão funcionando, mas não estão sendo totalmente vividos. Dá sentido quando nos entregamos àquilo que acreditamos que vale a pena, quando há intenção e não apenas sobrevivência, que é a simples continuação da vida.
O que sustenta uma família não é o ritmo, é o vínculo, a experiência vivida e a presença partilhada no simples. Esqueci meu celular na minha cidade antiga e percebi o quanto ele me faz viver focada em uma realidade ilusória. Com ele o tempo todo na mão, como uma extensão do corpo, sinto que busco uma coisa e, por consequência de um mero objeto, vivo outra.
Busco presença sem pressa, ouvir sem responder enquanto o outro fala, olhar sem o celular na mão, fazer o simples com atenção. É ser corpo e mente em um só lugar.
O sentido da vida é o presente do agora, não aquilo que pode vir depois. O que dá sentido à vida é o que amamos, o movimento de levantar todos os dias da cama com a certeza de que a própria existência está valendo a pena. Não é sobre ter uma rotina perfeita, mas sobre pequenas escolhas feitas com intenção. Quando há presença, até o comum se torna essencial. É assim que a vida encontra sentido.
O que dá sentido à sua vida?
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