Todos os dias, algumas histórias chegam ao fim de forma rápida e objetiva.
Nomes, datas, registros curtos que anunciam uma ausência definitiva.
Vidas inteiras resumidas a poucas linhas.
Quando lemos esse tipo de comunicado, é difícil não imaginar tudo o que existiu antes do ponto final. Pessoas, escolhas, alegrias, dores, sonhos. No jornal, vemos isso com frequência. E essa repetição silenciosa faz nascer uma pergunta que deixa de ser distante e passa a ser pessoal: afinal, o que é viver plenamente?
Pensar na partida dos outros e, inevitavelmente, na nossa, nos convida a olhar para a vida de outro jeito. Não como algo que será resolvido no futuro, mas como uma responsabilidade diária. Não se trata de quanto tempo se vive, mas de como se vive enquanto há tempo.
Eu já vivo bem. Mas percebi que viver bem não é o mesmo que viver com plenitude.
E você? Já parou para pensar nisso?
Plenitude não tem uma definição única. Cada pessoa constrói a sua a partir das experiências que viveu, das crenças que carrega e dos sonhos que ainda guarda. É algo pessoal, íntimo e impossível de ser transferido para outra pessoa.
Para mim, viver com plenitude é estar inteira. Não no sentido de ter tudo, mas de não estar dividida por dentro. É quando pensamento, sentimento e ação caminham juntos. É estar presente no lugar onde se está, vivendo o que precisa ser vivido, sem fugir o tempo todo para o passado ou viver preso à ansiedade pelo futuro.
Quando nos lembramos de que a vida é finita, essa reflexão se torna ainda mais necessária. Não temos certeza sequer da nossa última refeição. Pode ser pela manhã, no almoço, no café da tarde ou à noite. Essa incerteza não deveria gerar medo, mas presença.
Diante disso, o que realmente importa não é a quantidade de dias que acumulamos, mas a forma como vivemos cada um deles. A intensidade, a atenção e a verdade com que atravessamos os dias dizem mais sobre uma vida do que o número de anos vividos.
É nesse ponto que a vida, mesmo sendo finita, ganha um sentido maior. Um único dia vivido com presença pode valer mais do que anos vividos no automático. Quando estamos inteiros no agora, experimentamos algo que vai além do relógio e do calendário.
Diante disso, uma pergunta se impõe, sem julgamento, mas com honestidade:
se este fosse o último dia, ele teria sido vivido por inteiro?
Talvez seja assim que a vida deva ser medida.
Não em anos.
Não em conquistas.
Mas na plenitude com que vivemos cada dia.
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