Jean-Paul Sartre, filósofo, figura central do existencialismo no século XX, defendia que não somos inteiramente definidos pelo que nos acontece, mas sim pelo que fazemos com o que nos acontece. Isso fundamenta diretamente a ideia de que o que nos diferencia é como cada um reage à vida. Ao longo da história, pessoas, grupos e lugares foram colocados em posições diferentes, não por preferência, mas por situações, decisões e caminhos assumidos. Não escolhemos o ponto de partida. Escolhemos como caminhar.
Escolhas repetidas constroem trajetórias. Algumas abrem caminhos, outras fecham portas. Pense em Moisés. Ele não foi ao palácio uma única vez. Voltou muitas vezes. Enfrentou repetidas negativas, resistências e recusas do faraó Ramessés. A cada retorno, reafirmava sua escolha: não se acomodar ao privilégio do palácio, mas insistir na libertação do seu povo. Sua trajetória não foi definida por um momento isolado, mas pela decisão de continuar quando nada parecia mudar. A situação influencia, mas não decide tudo. São as escolhas, mesmo as pequenas, que constroem o caminho. No fim, não é de onde viemos que nos define, mas como seguimos em frente.
Quem escolhe com consciência se torna disponível para crescer, aprender e servir. E então surge a pergunta: e as pessoas difíceis, as que erraram, as que carregam um passado controverso? A história mostra que trajetórias imperfeitas não impedem transformação. Erros e falhas não anulam a possibilidade de mudança, porque o ponto de virada quase sempre acontece longe dos holofotes, no espaço íntimo onde ninguém vê, mas onde decisões verdadeiras são tomadas. Não é o temperamento que define o destino, nem o passado que determina o futuro. São as escolhas feitas no silêncio que moldam o caminho. No fim, não se trata de ser melhor do que alguém, mas de escolher melhor todos os dias. E são essas escolhas, repetidas com intenção, que nos tornam diferentes.
Pense em Pedro. Impulsivo, contraditório, de personalidade difícil. Errou publicamente, negou quando foi pressionado, falou quando deveria silenciar. Ainda assim, não foi definido por seus tropeços, mas pelas escolhas que fez depois deles. Pedro não mudou porque era perfeito, mudou porque decidiu continuar. Não foi o temperamento que definiu seu destino, nem o erro que encerrou sua história, foram as escolhas feitas após a queda.
Todos os dias, mesmo sem perceber, fazemos escolhas que nos colocam mais perto ou mais longe de quem queremos ser. Não é a situação que decide sozinha, nem o passado que dá a palavra final. O que realmente pesa é a direção que escolhemos seguir, especialmente quando ninguém está olhando. No fim, não se trata de perfeição, comparação ou rótulos, mas de consciência. É assim, escolha após escolha, que os caminhos se definem, e que nos tornamos quem somos.
Comente