A dificuldade de falar em público, se posicionar ou argumentar na vida adulta muitas vezes começa cedo. Ainda na infância, quando a comunicação não é incentivada, muitas crianças aprendem que sua voz não importa. Crescem ouvindo, obedecendo e silenciando. Dar voz às crianças é um passo essencial para formar adultos mais seguros.
Desde cedo, nem a sociedade nem a escola tratam a comunicação como uma habilidade fundamental. Aprende-se a cumprir uma grade escolar, mas esquece-se que passamos cerca de oito anos dentro de uma sala de aula. Tempo suficiente para aprender o básico da comunicação: saber ouvir, organizar pensamentos, expressar sentimentos e falar sem medo.
Na prática, isso raramente acontece. A comunicação não é tratada como disciplina, nem como prioridade. Não há investimento consistente na formação de professores para desenvolver essa competência.
Na minha experiência, sempre que eu precisava apresentar um trabalho ou falar à frente da sala, meu corpo reagia antes de mim. As mãos gelavam, o coração disparava e tudo saía mal. Não era falta de conteúdo. Era falta de preparo emocional e comunicacional.
Com o tempo, entendi que comunicação não é dom. É construção. Por isso, decidi trabalhar essa habilidade com meus filhos desde pequenos. Oratória, escrita, interpretação de texto e, principalmente, diálogo. Em um mundo cada vez mais digital, saber se comunicar se tornou essencial dentro da escola, da família e da sociedade.
Cada pessoa se expressa de um jeito, mas conversar, argumentar, ensinar e se posicionar fazem parte do desenvolvimento humano. Crianças precisam ser incentivadas a perguntar, falar e errar. É no erro que se aprende. É assim que o medo diminui e a confiança se constrói.
Quando esse trabalho começa cedo, os reflexos aparecem na vida adulta. Mais segurança para uma entrevista de emprego, para apresentar um trabalho na faculdade, para falar em público e até para dialogar dentro da própria família.
Todo tempo é tempo de aprender, inclusive na vida adulta. Aprendo diariamente com as vivências, com a troca de ideias e, principalmente, com as perguntas curiosas dos meus filhos.
Em casa, aprendi que não existe comunicação sem confiança, segurança e escuta. Antes de ensinar, é preciso garantir que o outro se sinta seguro para falar.
Trabalhar a comunicação desde cedo é investir em relações mais saudáveis, profissionais mais preparados e pessoas conscientes do valor da própria voz. A voz tem poder. E quando aprendemos a usá-la desde a infância, muitos conflitos podem ser evitados e outros tantos resolvidos.
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