Se a gente estivesse tomando um café agora, talvez eu começasse te dizendo algo simples, mas libertador: a vida não foi feita para ser uma linha reta. Durante muito tempo eu achei que precisava ser.

Que crescer era subir sempre, sem tropeçar, sem errar, sem cansar. Hoje eu sei que linha reta não é sinal de sucesso. É sinal de ausência de vida.

A minha caminhada foi feita de picos e vales. Houve fases em que tudo parecia dar certo: estudo, reconhecimento, resultados, sensação de segurança. Eu fiz o que me ensinaram a fazer — me capacitei, busquei excelência, entreguei mais do que esperavam de mim. E funcionou. Mas em silêncio, algo começou a apertar por dentro.

Eu percebi que, sem notar, tinha começado a viver para provar valor, para não depender de ninguém, para não voltar a sentir antigas dores.

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Talvez você se reconheça nisso. Quando a gente faz demais para não sentir, para não faltar, para não fracassar. Dá resultado, sim. Mas cobra um preço emocional alto. Foi ali que aprendi que sucesso sem consciência pode virar prisão. E que segurança, quando não é bem cuidada, pode virar orgulho, vaidade e uma falsa autossuficiência.

A vida, como sempre, se encarregou de me ensinar pelo contraste. Vieram os vales. Momentos de dúvida, cansaço, medo. Medo de não ser suficiente, de decepcionar, de não ser amada. Muitas dores não nasceram das circunstâncias, mas das escolhas que eu fazia e do que eu aceitava permanecer. Nem toda dor é criada por nós — eu sei disso. Mas a forma como respondemos a ela muda tudo.

Foi nesse ponto que algo importante se revelou para mim: eu posso sentir a dor, mas não preciso permanecer nela. Sentir é humano. Ficar preso é escolha. Essa consciência não elimina o sofrimento, mas devolve o poder de decidir o próximo passo.

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Ao longo da minha jornada, algumas decisões foram fundamentais. A primeira foi enfrentar crenças que eu nem sabia que carregava: a sensação de não merecer, a dúvida sobre minha capacidade e a confusão entre quem eu sou e o cargo que eu ocupava. A segunda foi aprender a descansar.

Eu achei, por muito tempo, que era máquina. Descobri — tarde, mas descobri — que descansar não é fraqueza, é estratégia de longevidade.

Também precisei aprender a olhar para frente com mais intenção. Não viver apenas reagindo ao mês, ao problema, à urgência. Ter visão de futuro muda a forma como atravessamos o presente.

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E, por fim, entendi que nenhum resultado se sustenta quando os campos da vida estão em desequilíbrio. Quando o pessoal, o profissional, o financeiro ou o espiritual adoecem, os outros pagam a conta.

Hoje, se eu pudesse deixar algo para você, seria isso: não existe vida perfeita. Existe uma jornada real, construída todos os dias, com altos e baixos que não nos param — nos constroem. Enquanto a vida pulsa, sempre há escolha. E escolher com consciência transforma tudo.